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(novo?) Marketing

10 nov

Sábado de manhã ouvi parte de uma entrevista que o Heródoto Barbeiro fazia na CBN sobre marketing. O tema era “Como o marketing pode se desenvolver nas novas mídias?”, e uma das muitas coisas interessantes ditas foi que a publicidade está passando sim por algumas/várias transformações em função das novas mídias que estão surgindo. Outro consenso entre os profissionais da área que estavam nessa discussão é que os até então anúncios mais comuns (comerciais de 30″, por exemplo) já não são mais os ban-ban-bans hoje em dia, e muitas marcas têm optado por filmes institucionais e tals… Enfim, bem legal o bate-papo. Escutem na íntegra no site da CBN

Dentro da categoria novas mídias/inovação/novidade, está a ação que a agência Escala, de Porto Alegre, fez para comemorar seus 35 anos no mês passado. Na verdade esse assunto já é “meio” antigo e foi super divulgado nas últimas semanas, mas, como vocês já sabem, eu tava naquele universo paralelo (chamado campanha política, lembram?), não conhecia ainda o “Desafiando a inércia“. Muitos de vocês já devem ter visto, mas de qualquer forma deixo aqui para os atrasildos como eu.


 
A idéia foi muito legal! Literalmente a Escala desafiou a inércia (que é inadmissível na área da comunicação, né gente?) e marcou suas três décadas e meia de existência com uma “nova mídia” de maneira super criativa. Leiam tudo sobre o “Desafiando” aqui.

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Mais ou menos assim

16 out
Pedaço da minha mesa em Joinville

Pedaço da minha mesa em Joinville

Algumas pessoas têm perguntado qual é a minha “função” nas campanhas políticas das que fiz/faço parte. “O quê afinal tu fica fazendo aí, hein?”.

Pra esses curiosos, e para os outros que passam por aqui, deixo minha resposta, que vai um pouco além dos meus afazeres:

Tudo isso que está prestes a acabar em uma semana, começou muito tempo atrás. Para alguns no início do ano, para outros, em maio ou junho, e para mim, em julho. 

Os candidatos a prefeito, para chegar LÁ, precisam, entre muitas outras coisas ($$$), de boas campanhas, certo?  Certo. Para fazer essas campanhas, forma-se uma equipe, uma estrutura (física inclusive), como se fosse uma agência de verdade (e com prazo de validade), com profissionais de várias áreas – publicidade, jornalismo, cinema, computação gráfica, etc.

É mais ou menos assim (nas situações ideais – que, como eu já percebi, nem sempre são reais): tem O cara, o marqueteiro, que é quem define a estratégia da campanha, a linha pela qual vai seguir toda a comunicação da mesma – tanto os programas eleitorais gratuitos, quanto os comerciais. Depois dele, tem a agência de publicidade – cujos redatores escrevem os comerciais e às vezes os roteiros (que em alguns casos podem ser escritos por um roteirista, de fora da agência), sempre seguindo a mesma linha, definida pelo tal manda-chuva/marqueteiro. Para os comerciais e roteiros ficarem prontos e certinhos, as informações precisam ser atuais, corretas e exatas. Aí que eu entro: pesquiso e checo todos os dados “jornalísticos” (de todos os tipos imagináveis: de bairros da cidade a número de homicídios do local a número de automóveis, nascimentos, ambulâncias, etc.) pra passar pra eles.

Outra equipe que trabalha para o programa acontecer, é a de jornalismo: aquela que sai para fazer matérias, pegar depoimento das pessoas nas ruas, fazer enquetes e cobrir eventos e a agenda do candidato – como uma equipe de telejornal mesmo. Nos programas, vocês devem ter reparado que é meio comum ter matérias (mais ou menos) desse tipo, né? E é aí que eu entro de novo: faço a pauta desta equipe diariamente, levanto um monte de informações antes de irem para a rua, ligo para pessoas, marco horários para entrevistas, etc. Também repasso dados sempre que o pessoal que faz os comerciais solicita (e eu encontro!). E escrevo roteiros de alguns quadros dos programas. Também já fui pra rua fazer matéria. E já corrigi legendas dos programas. E dos comerciais. E também já dirigi entrevistado “importante”. E emprestei as minhas mãos para (ensaios de) comerciais. Sabem o Bombril? Tipo assim.

Tá, já falei da agência de publicidade, da equipe de jornalismo… Falta ainda a produção, que, em tese, é quem produz o que tiver que produzir (e olha que não é pouca coisa…), encontra personagens, atores e locações para os comerciais; também é responsável por organizar horários de gravação, transporte e locomoção das equipes, etc. Tem ainda os câmeras e seus assistentes (os do estúdio e os de externa); o pessoal da técnica, que cuida dos equipamentos; a maquiadora; o figurinista; a pessoa que cuida dos cenários; a tia que faz as comidinhas pra gente; o pessoal da limpeza; os motoras pra carregar todo esse povo pra cima e pra baixo e entregar as fitas nas emissoras sempre aos 44’ do segundo tempo; o financeiro (essencial!), que organiza e paga todas as contas; os editores, que são os que mais se ferram pra fechar os programas na madruga; os cabeçudinhos que fazem a computação gráfica; o pessoal da sonorização, que coloca as trilhas e efeitos; ah! Tem ainda a equipe responsável pelos programas de rádio – que grava os programas e comercias e tal. 

Mas, resumindo: são três “eixos” pra coisa toda acontecer: criação (publicidade e jornalismo), produção (se vira nos 30) e edição – cada qual com seu diretor-mor. Tudo isso convivendo diariamente durante alguns meses, no mesmo espaço. Claro que tem mais gente – o pessoal do comitê do candidato; o próprio e seus assistentes; o pai do candidato; os assessores; os figurões do partido do candidato; e os queridos e fofos que simpatizam com a “nossa” causa e ligam pra fazer denúncias bombásticas dos adversários que caem do céu no meu colo.

E também tem festa, cerveja e boteco.

A gente se ferra, mas se diverte.

É mais ou menos assim.